Pesquisa na Web

Pesquisa personalizada
SEJAM BEM VINDOS AO AGRO INFORMAÇÕES
Mostrando postagens com marcador BOVINOCULTURA DE CORTE. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador BOVINOCULTURA DE CORTE. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

HIPOGLICEMIA NEONATAL

Hipoglicemia neonatal

Embora também seja conhecida por ocorrer em bezerros e cordeiros, é melhor

documentada em leitões < de 1 semana de idade. Complicação final antes da morte

em muitas doenças, representa 15 a 35% da mortalidade total de leitões. A

discussão a seguir centra-se em leitões.

Etiologia

– Com uma habilidade gliconeogênica apenas parcial, reservas de
energia limitada, e essencialmente nenhuma gordura marrom, os leitões recém-nascidos

dependem de reservas de glicogênio e, o mais importante, de aleitamento

freqüente. A predisposição à hipoglicemia dos leitões ocorre com qualquer doença

da porca que diminua ou iniba a produção ou a descida do leite. Um tamanho grande

de ninhada, em conjunto com o número inadequado de tetas, impossibilitam um

aleitamento apropriado; a colocação inapropriada de uma barra inferior na baia de

parição, o que prejudica o acesso ao úbere, pode levar a um consumo inadequado de

leite e hipoglicemia.

A temperatura crítica para leitões recém-nascidos é de

, 35oC. Os leitões
apresentam uma resposta metabólica eficiente ao frio e uma vasoconstrição

periférica completamente funcional, mas sua carência de gordura subcutânea de

isolação (até 1 a 2 semanas de idade) permite acentuada perda de calor. Em

ambientes úmidos ou com correntes de ar, em pisos frios, ou em baixas temperaturas

ambientes, a manutenção da temperatura corporal exige rápida utilização de

glicose, o que esgota as reservas de glicogênio; se o consumo de leite for reduzido,

podem ocorrer hipoglicemia e morte.

Achados clínicos

– Um ou mais leitões de uma ninhada podem estar envolvidos.
Inicialmente, o comportamento muda de sucção vigorosa ou brincadeira

alternando com sono, para prostração solitária. Os suínos afetados caminham

sem direção, com andadura cambaleante, choram fracamente e são muito ma-

Manejo, Criação e Nutrição, Introdução 1322

gros, com a pele úmida, fria e pálida; são hipotérmicos, têm tono muscular ruim e

não respondem a estímulos externos. À medida que a incoordenação aumenta, os

leitões podem ficar em pé com as pernas tortas, e segue-se decúbito lateral ou

esternal. Terminalmente, exibem convulsões com mastigação ruidosa das mandíbulas,

salivação, opistótono, nistagmo, contração de membro anterior e posterior,

coma e morte. Muitos leitões afetados são esmagados pela porca.

Os níveis séricos de glicose caem de um normal de 90 a 130mg/dL para tão baixo

quanto 5 a 15mg/dL; os leitões afetados geralmente manifestam sinais clínicos

quando os níveis estão < 50mg/dL.

Diagnóstico

– Qualquer afecção que prejudique o consumo alimentar dos
suínos neonatos é um problema diagnóstico potencial. Geralmente, no entanto,

pode-se diagnosticar hipoglicemia, pelo escame da porca e do ambiente, à procura

de fatores predisponentes, e a resposta do leitão à glicoterapia.

Tratamento e profilaxia

– O tratamento consiste em 15mL de glicose 5% IP. Os
suínos tratados devem ser colocados sob uma lâmpada de aquecimento ou em um

ambiente equivalentemente quente. A resposta se segue em 5 a 10min, com

tremores e mais atividade. Os leitões severamente hipoglicêmicos e hipotérmicos

podem não responder. Tem-se que providenciar um consumo de energia assegurado

para se evitar recidiva.

Se a ocitocina não promover a descida do leite na porca, podem-se administrar

intragastricamente 20mL de dextrose a 5%, colostro de vaca ou leite evaporado

diluído pela metade com água, para cada leitão através de uma pequena cânula

plástica (com cuidado, para evitar danos aos divertículos faríngeos), ou pode-se

repetir glicose IP a cada 4 a 6h. Os leitões ativos aprendem rapidamente a beber em

um prato. O aleitamento adotivo dos leitões é possível em grupos de unidades de

parição; a maioria das porcas aceita leitões introduzidos silenciosamente durante o

período da descida do leite. A distribuição das ninhadas de tamanho irregular pode

reduzir a mortalidade por inanição e hipoglicemia. Qualquer doença primária da

porca deve ser tratada efetivamente e quaisquer falhas dentro do ambiente devem

ser corrigidas. Os leitões devem ser mantidos em uma área de trânsito livre de

correntes de ar, aquecida a 35

oC durante a primeira semana de vida. Os leitões
estressados pelo frio e marginalmente hipoglicêmicos são mais suscetíveis a

doenças intestinais e outras doenças neonatais.

Enviada por:
Gustavo Farias. Ac. Medicina Veterinária

Tipo zootécnico do Gado de Corte

No gado de corte as caracteristicas exteriores indicam com bastante precisão, a paitidão do animail para produzir carne.

Conformação : o gado de corte apresenta forma cilindrica, estrutura relativamente grande, corpo alongado.

Aspecto geral : o corpo é musculoso e sem saliencias ósseas. Linha dorso-lombar-garupa reta, alongada, larga e amplamente coberta de musculos. Pele macia, solto e elástica.

Cabeça: pequena com focinho largo e as narinas abertas, o que facilita a respiração. Orelhas médias e não caidas. Olhos bem separados. Pêlos finos e sedosos.

Pescoço: curto e musculoso, bem unido à cabeça e harmoniosamente inserido às espáduas.

Tronco : cilíndrico com peito desenvolvido e não saliente, torax amplo, costelas bem arqueadas e afastadas entre si. Garupa comprida e larga em toda a sua extensão, tendendo para horizontal. Cauda inserida paralelemente à garupa, e sem depressão.Todo o tranco deve ser liso, sem saliências ósseas ericamenete coberto de musculos.

Membros : bem aprumados, com ossatura desenvolvida, mas não grosseira e com boa cobertura muscular.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Enfardamento adequado

A conservação de forragens, na forma de feno, requer diversas operações: o corte das plantas verdes no momento em que apresentam elevado teor de água e de nutrientes, o seu revolvimento para acelerar a secagem pela ação da radiação solar, o enleiramento, o recolhimento e o posterior armazenamento, para futura utilização.

A forragem seca, com menos de 20% de água, constitui-se no feno, que está apto para ser recolhido e armazenado, tanto a granel, quanto na forma de fardos. Para o recolhimento e armazenamento a granel, podem ser utilizadas ferramentas manuais, ou mesmo máquinas denominadas carretas autocarregadoras/transportadoras. O armazenamento do feno em fardos requer menos mão-de-obra, evita em grande parte as perdas de folhas de forragens frágeis, como as leguminosas, diminui a exposição aos agentes atmosféricos e reduz a necessidade de espaço para armazenagem do alimento entre metade até um quarto do que seria necessário para forragem não enfardada.
É importante destacar que deve-se evitar o armazenamento de forragem com umidade excessiva, uma vez que implica em risco de desenvolver mofos, deteriorando a qualidade do feno, podendo até mesmo ocorrer auto combustão.

Feno a granel

Para manuseio do feno a granel, além de garfos e ancinhos manuais, pode ser utilizada a carreta forrageira autocarregadora/transportadora, tracionada por trator e acionada pela tdp (potência de acionamento de 18 a 30 kW). A carreta eleva a forragem enleirada, através de um molinete "pick-up", até um mecanismo cortador, que se encarrega de cortá-la em fragmentos e de acomodá-la no interior da carroceria, com o auxílio de uma esteira. A montagem de um número maior de facas no mecanismo cortador permite a sua utilização na produção de silagem pré-secada, quando origina fragmentos de forragem medindo de 10 a 12 cm de comprimento. Quando todo o volume útil da máquina (10 a 30 m³) estiver ocupado com feno, a carreta desloca-se até o local de armazenamento do alimento, onde descarrega a carga por meio do acionamento de uma esteira localizada na base da carroceria. O feno é depositado em moegas, alimentando transportadores pneumáticos ou outros tipos de elevadores, responsáveis pela elevação e distribuição do feno dentro de galpões apropriados. No interior destes galpões, o feno armazenado a granel pode ser manuseado com o auxílio de garras metálicas fixadas em pontes rolantes. Esta modalidade de manuseio do feno não é comum no Brasil, mas sim em alguns países da Europa, como Áustria e Suíça, onde a fenação é tradição secular. No entanto, para a produção de silagem pré-secada, este tipo de máquina vem sendo utilizada, mais especificamente, na região dos Campos Gerais, Estado do Paraná.

Enfardamento de feno

As máquinas utilizadas para a confecção dos fardos são denominadas enfardadoras e podem ser classificadas em convencionais ou prensas-enfardadoras, que produzem fardos prismáticos com dimensões de 40 a 60 cm de largura x 30 a 40 cm de altura x 50 a 130 cm de comprimento, ou ainda rotoenfardadoras, que produzem fardos cilíndricos com largura de 1,50 m a 1,70 m e diâmetro de 1,60 m a 1,80 m (ORTIZ-CAÑAVATE, 1984). Este autor classifica as prensas-enfardadoras em baixa pressão, média pressão e alta pressão (Tabela 1 - veja no final do texto como visualizar este artigo, com fotos e tabelas, em PDF). As enfardadoras podem ser utilizadas para enfardar restos de culturas (palhas) para diversas finalidades, como por exemplo alimentar animais, servir de cama para animais confinados, ou para fins energéticos em secadores ou mesmo em centrais termelétricas. Na Tabela 1 são apresentadas algumas características comparativas entre diferentes modelos de enfardadoras.

Prensa-enfardadora

É a máquina mais comum, porém devido à complexidade e às exigências de manutenção de alguns dos seus mecanismos, vem sendo substituída por outros modelos mais simples. Os mecanismos que constituem a prensa-enfardadora são montados em um chassi apoiado sobre rodas, sendo a máquina tracionada pela barra de tração e acionada pela tdp do trator. O primeiro mecanismo que entra em contato com o feno é o mecanismo recolhedor, composto por um molinete de dedos retráteis (pick-up), cuja altura em relação ao solo pode ser ajustada às necessidades. Os dedos retráteis giram em sentido oposto ao avanço dos rodados da máquina e elevam a leira de feno, introduzindo-a no mecanismo de alimentação do canal da prensa. O mecanismo de alimentação situa-se acima do mecanismo recolhedor, conduz o feno até o canal da prensa e pode ser composto por um transportador helicoidal em combinação com garfos que se deslocam lateralmente ou somente por um par de garfos. Os garfos introduzem a forragem no canal da prensa, através de uma janela lateral, no momento em que o êmbolo está próximo do seu máximo curso para frente (ponto morto inferior), afastando-se no momento em que o êmbolo é deslocado para trás, comprimindo o feno. A compactação do feno e a forma do fardo dependem da ação do êmbolo, que se desloca no interior do canal da prensa com freqüência de 65 a 100 ciclos por minuto. Na parte inferior do canal da prensa, na região de compressão do feno, existem duas aberturas longitudinais que permitem a subida das agulhas até o mecanismo nosador, no momento em que o fardo deve ser amarrado. Para conformar as paredes laterais do fardo, o êmbolo dispõe de uma lâmina que corta o material ao cruzar com uma contra-faca fixa localizada na parede vertical da janela de entrada de feno do canal da prensa. A compressão do feno ocorre pela resistência ao deslocamento dos fardos já amarrados, na saída do canal da prensa, e pelo afunilamento da saída do canal da prensa, que pode ser regulado através da alteração da tensão de molas localizadas na parte posterior da enfardadora. O mecanismo de amarração é o responsável pela amarração dos fardos com fios de sisal e é composto por agulhas, nosador, órgãos de acionamento, transmissão e estrela medidora do comprimento dos fardos. Os rolos de sisal são mantidos em um compartimento ao lado do canal da prensa e as extremidades de cada fio são presas no mecanismo nosador, passando pelos orifícios localizados nas pontas das agulhas, mantidas abaixo do canal da prensa. O deslocamento do feno no interior do canal, para trás, é medido por uma "estrela" medidora do comprimento do fardo e quando o comprimento estabelecido através de regulagem é alcançado, as agulhas portando os fios de sisal são deslocadas para cima e o mecanismo nosador é acionado, amarrando o fardo e cortando o fio, voltando as agulhas para a sua posição original. Esta operação é considerada a parte mais crítica do funcionamento de uma prensa-enfardadora. Os fardos produzidos por estas enfardadoras necessitam ser recolhidos e transportados para um local de armazenamento, ao abrigo da chuva, sob pena de o feno perder qualidade. Existem enfardadoras que dispõem de mecanismos destinados a arremessar os fardos produzidos para cima de uma carreta agrícola adaptada para o transporte de feno enfardado, acoplada na parte traseira do seu chassi. Com o auxílio de uma pessoa, os fardos podem ser adequadamente empilhados sobre esta carreta, ocupando menor espaço e facilitando o descarregamento no local de armazenagem.

Uma alternativa aos fardos prismáticos tradicionais são fardos com dimensões de 1,6 m x 0,7 m x 1,2 m e volume aproximado de 1,35 m3. A máquina que produz este tipo de fardo é a prensa-enfardadora hidráulica, e sua capacidade é para enfardar o feno de 2,5 a 3,5 hectares em uma hora de operação. Os fardos, por sua vez, tem de ser manuseados com o auxílio de garras montadas na parte frontal do trator, facilitando a mecanização integral do processo de fenação.

Fardos cilíndricos ou redondos

Estas máquinas também facilitam a mecanização integral do processo de fenação, desde o corte da forragem até a distribuição do feno aos animais, o que não é plenamente atingido pelo sistema de enfardamento com a utilização das prensas-enfardadoras convencionais. As enfardadoras de fardos cilíndricos oportunizam uma redução no tempo da operação de enfardamento de 25 a 50 % em relação às prensas-enfardadoras, podendo-se recolher os fardos produzidos até duas ou três semanas após o enfardamento, sem prejuízo para a qualidade da forragem armazenada. As rotoenfardadoras são tracionadas pela barra de tração e acionadas pela tdp do trator, possuindo menor número de mecanismos do que as enfardadoras convencionais e podem ser de câmara variável ou de câmara fixa. O mecanismo recolhedor de feno é semelhante ao das enfardadoras convencionais, constituído por um molinete com dedos retráteis, apoiado sobre rodas calibradoras. Para um adequado funcionamento das rotoenfardadoras (alimentação uniforme e formação de fardos aproximadamente cilíndricos), é necessário que as leiras de feno apresentem a mesma largura do mecanismo recolhedor (varia entre 1,20 e 1,80 m). Quando a largura da leira for menor do que a largura do fardo a ser "enrolado", a máquina deve ser conduzida em ziguezague sobre a leira, de forma a possibilitar a formação de um fardo com diâmetro semelhante ao longo da sua largura. Pela ação do mecanismo recolhedor, o feno é deslocado do solo até o mecanismo transportador inferior, onde a camada de forragem é encaminhada até o transportador superior, que apresenta sentido de giro oposto e tem a função de enrolar a camada, como se fosse um tapete. Nas enfardadoras de câmara variável, o transportador superior é composto por uma série de correias planas paralelas ou por um par de correntes interligadas por barras tubulares muito próximas umas das outras, tensionadas por molas situadas nas paredes laterais da máquina. À medida que o fardo vai sendo enrolado, aumenta a tensão das correias ou das correntes com barras transversais sobre a forragem, até que o diâmetro do fardo alcance o tamanho máximo possível, o que é indicado por uma seta que se desloca ao longo de um quadrante. Neste momento, o operador deve estacionar o trator e proceder o amarrio do fardo. Nas enfardadoras de câmara fixa, a forragem é transportada para o interior de uma câmara circundada por cilindros ou rolos com diâmetro aproximado de 25 cm. Estes cilindros giram sobre seus próprios eixos, fazendo com que a massa de feno adquira um movimento rotativo no interior da câmara. À medida que aumenta o volume de feno no interior da câmara, o formato vai se aproximando mais do cilíndrico, sendo que a camada externa apresenta-se mais adensada do que a interna. Quando a pressão do fardo sobre os cilindros atinge um nível escolhido como adequado através da regulagem da máquina, esta dispara um alarme alertando o operador para a necessidade de estacionar o trator e proceder o amarrio do fardo. Para ambos os modelos de máquinas, o amarrio do fardo requer que o trator pare e a tdp continue funcionando a 540 rpm. Através de um cordão ou de uma alavanca, o operador do trator comanda o deslocamento de um fio de sisal que é enrolado ao longo do fardo inteiro e, posteriormente, cortado com o auxílio de uma navalha apropriada. Como alternativa ao fio de sisal, existe uma tela de material sintético que envolve e dá firmeza ao fardo e ajuda a proteger contra a umidade do ambiente. Para extrair o fardo do interior da máquina, há necessidade de desligar a tdp do trator e acionar os cilindros hidráulicos de controle remoto que elevam uma espécie de comporta até que a abertura seja suficiente para dar passagem ao fardo, que é deslocado para fora da máquina através do transportador inferior, tão logo a tdp seja acionada novamente. Os fardos cilíndricos pesam de 400 a 700 kg, quando são de feno, e de 250 a 400 kg, quando são de palha e o seu manuseio e transporte requerem ferramentas especiais (espécie de garfos) montadas ao trator.

No mercado brasileiro de máquinas agrícolas é oferecida uma rotoenfardadora que produz fardos cilíndricos com dimensões de 60 cm x 65 cm e peso de 20 a 35 kg, própria para pequenos estabelecimentos. Segundo informações do fabricante, esta máquina requer potência de acionamento mínima de 11 kW e os fardos são enrolados com uma espécie de tela ou rede.

Para armazenar fardos cilíndricos no campo durante alguns meses, convém impermeabilizá-los, enrolando-os com um filme plástico. Para esta finalidade, existem máquinas que apanham os fardos cilíndricos, depositando-os sobre uma plataforma rotativa, envolvendo-os com algumas camadas de filme de polipropileno e depositando-os novamente sobre o solo. Este equipamento também vem sendo utilizado para conservar forragem na forma de silagem para ser armazenada no campo, desde que a forragem seja enfardada com teor de água adequado para ocorrer a fermentação.

CONCLUSÃO

A fenação é uma excelente alternativa para conservar forragens de boa qualidade, em épocas de abundância, para suprir as necessidades dos rebanhos, nas épocas de escassez. A sua utilização, na prática, é uma das mais importantes ferramentas para melhorar os índices zootécnicos do Brasil, porém deve sempre ser precedida de estudos de viabilidade econômica. Sob o ponto de vista da utilização das propriedades rurais, a fenação consiste em uma das chaves para a implantação da integração lavoura-pecuária, podendo contribuir decisivamente para o sucesso desta prática.

A quantidade de máquinas envolvidas na fenação e o elevado custo fixo das mesmas sugerem que, em estabelecimentos de pequeno porte, esta atividade tenha de ser terceirizada ou viabilizada através de cooperativas ou grupos de mecanização.

Walter Boller,
Universidade de Passo Fundo

* Este artigo foi publicado na edição número 14 da revista Cultivar Máquinas, de setembro/outubro de 2002.

Fatores determinantes do sucesso de programa de transferência de embriões

A transferência de embriões (TE) é uma tecnologia reprodutiva desenvolvida no final do século XIX e aprimorada no século XX. Nesse período, tornou-se uma ferramenta importante no comercio nacional e internacional de embriões bovinos, graças ao avanço nos conhecimentos das variáveis envolvidas nos processos de produção, manipulação, conservação e transferência de embriões. Atualmente, a taxa de sucesso dos programas de TE depende do efetivo controle dessas varáveis, sendo que a negligência de qualquer uma delas pode comprometer seriamente os resultados previstos. O presente artigo objetiva descrever sucintamente essas variáveis, bem como discorrer sobre as implicações de cada uma delas para o sucesso de um programa de TE.

Embryo
transfer (ET) is a reproductive technology developed at the end of the
nineteenth century and improved during the twentieth century. In this
period, the knowledge advancement of production, handling, storage and
embryo transfer processes made the national and international trade of
bovine embryos possible. Currently, the success rate of ET programs
depends on the effective control of these variables. The negligence in
handling those variables may seriously compromise the results. This
paper briefly describes and discusses the implications of each
variable, which may influence the success of an ET program.

INTRODUÇÃO

A
transferência de embriões (TE) pode ser definida como o processo de
remover um ou mais embriões do trato reprodutivo de uma fêmea doadora e
transferi-los a uma ou mais fêmeas receptoras. Os embriões também podem
ser produzidos no laboratório utilizando técnicas de fecundação in
vitro ou por clonagem de células embrionárias ou somáticas. Entretanto,
considerando que a transferência de um embrião é somente uma de uma
série de etapas destinadas à obtenção de uma gestação por essa via, o
termo TE, no sentido mais amplo, considera também os processos de
superovulação e inseminação das doadoras, coleta de embriões,
isolamento, avaliação e cultura dos embriões durante um curto período,
micromanipulação (com finalidade de sexagem ou genotipagem),
congelamento e transferência dos embriões.

Desde o nascimento
dos primeiros produtos oriundos dessa tecnologia (Heape, 1890), a TE
foi utilizada como ferramenta auxiliar nas pesquisas com reprodução
animal, sendo que sua aplicação comercial ocorreu somente a partir da
década de 1980. Atualmente, a industria da TE é um negócio de escala
internacional. Para os interessados em conhecer um pouco mais a
história do desenvolvimento da tecnologia da TE recomenda-se a leitura
da excelente revisão sobre esse tópico feita recentemente por
Betteridge (2003 ).

Superovulação

Nos
últimos 25 anos, foram poucos os avanços conseguidos para melhorar a
resposta aos tratamentos de superovulação. Isso pode ser mostrado da
análise do número médio de embriões recuperados de vacas superovuladas
em uma central norte-americana de TE (Em Tran Inc.). Em 1979, a média
de embriões recuperados era de 4,6 contra 4,8, vinte anos depois
(Hasler, 2003). Esses dados consideram todas as doadoras superovuladas,
independentemente de não terem manifestado cio, ou não terem sido
coletadas devido à falta de resposta ovariana. Com efeito, um sério
problema, ainda sem solução, é que, aproximadamente, 20% das doadoras
não produzem embriões transferíveis (Tabela 1).

Tabela 1. Distribuição das vacas conforme o número de embriões utilizáveis por tratamento (Silva et al., 2008).

No de embriões - 0 - Menos que 3 - 3 a 6 - Mais que 6
% vacas 20% - 10% - 45% - 25%

Embora
a produção média de embriões por doadora não tenha sido aumentada
significativamente, houve um avanço considerável na flexibilidade para
a aplicação dos tratamentos. Essa melhora foi possível graças ao uso de
dispositivos liberadores de progesterona aplicados por via vaginal ou
subcutânea (Bo et al., 2006). Atualmente, a superovulação pode ser
iniciada após a inserção de um dispositivo liberador de progesterona em
qualquer momento do ciclo estral. Por outro lado, tem sido claramente
demonstrado que não existe qualquer beneficio do intervalo de espera da
manifestação de dois cios consecutivos entre superovulações, como
inicialmente acreditado. As doadoras podem ser superovuladas
repetidamente cada 40 dias, durante um período de 1 a 2 anos, com
resultados satisfatórios (Hasler, 2003)

Recuperação de embriões

Após
a ampla aceitação da recuperação não cirúrgica de embriões desde os
anos 80s, os procedimentos para recuperar embriões têm recebido pouca
atenção. Praticamente, todos os técnicos de TE utilizam um cateter tipo
Foley, com um "balão" inflável na extremidade para fixar o cateter no
útero. Tradicionalmente, as sondas de Foley eram compostas de borracha
ou látex. Recentemente, o silicone foi utilizado para substituir esses
materiais na confecção das sondas específicas para bovinos. Essas
sondas apresentam várias vantagens, incluindo a capacidade de suportar
a esterilização em autoclave, manutenção da forma concêntrica do balão,
bem como múltiplas saídas de drenagem.

A maior parte dos
técnicos opta por utilizar um grande volume de líquido (um ou dois
litros de PBS), sendo que a metade é introduzida por fluxo de gravidade
em cada corno uterino, embora exista uma crescente opinião que o PBS
pode ser liberado no corpo do útero de forma a realizar a "lavagem"
simultânea dos dois cornos uterinos. Nesse caso, o balão é inflado logo
depois de passar a cervix. A eficiência da coleta parece ser semelhante
nos dois procedimentos. Uma prática interessante após a coleta consiste
em encher os cornos uterinos com PBS, bloquear a saída da sonda e
soltar o animal no curral enquanto é realizada a procura dos embriões.
Caso não sejam encontrados embriões (ou encontrado um número muito
inferior ao número de corpos lúteos), os animais serão novamente
coletados. Com essa prática, alguns técnicos tem aumentado em
aproximadamente 2 a 3 o número médio de embriões recuperados (Netto et
al., 2005)

Avaliação e manipulação de embriões

No
início, a indústria comercial de TE utilizava o mesmo meio (PBS
suplementado com soro) para realizar a coleta e a conservação dos
embriões. Atualmente, várias empresas oferecem meios mais complexos,
elaborados especificamente para atender as diversas etapas da TE.
Embora esses produtos ofereçam uma maior "segurança psicológica" ao
técnico, não existe evidência científica convincente demonstrando que o
uso desses produtos resulte em uma melhora significativa da qualidade
após a coleta ou das taxas de prenhez.

Atualmente, a avaliação
dos embriões é relativamente bem padronizada, tanto para o estágio de
desenvolvimento, como para a qualidade embrionária. As definições
desses dois conceitos estão disponíveis no Manual editado pela
Sociedade Internacional de Transferência de Embriões (IETS). Apesar de
existir vários procedimentos (metabólicos, capacidade de
desenvolvimento em cultura, etc) para estimar a viabilidade dos
embriões, atualmente só a avaliação morfológica (utilizando microscopia
ótica) é utilizada para avaliar a qualidade dos embriões. Existe uma
boa correlação entre a qualidade morfológica dos embriões e a posterior
taxa de prenhez (Alvarez et al., 2007).

Transferência de embriões

Assumindo-se
uma boa competência do técnico que executa a TE, os principais fatores
que afetam a taxa de prenhez são a qualidade do embrião e da receptora.
Em muitas operações comerciais, a taxa de sucesso com TE freqüentemente
excede 70%. Porém, o planejamento de um programa de TE deve considerar
cifras mais modestas (da ordem de 50%), mesmo quando em determinadas
ocasiões sejam alcançadas taxas de prenhez da ordem de 80% após a
transferência de embriões frescos de boa qualidade em receptoras
idôneas (Hasler, 2003).

A qualidade do embrião é sabidamente um
fator de grande relevância na taxa de prenhez. Contudo, os técnicos que
trabalham nas fazendas (ou mesmo nas centrais de TE) têm pouca escolha
com relação a esta variável no momento de realizar a transferência. Por
outro lado, a condição da receptora pode influenciar as taxas de
prenhez. Em raças européias, o uso de vacas e novilhas de corte e
novilhas leiteiras resulta em taxas de prenhez semelhantes, enquanto
que vacas leiteiras apresentam uma taxa de prenhez consideravelmente
menor.

Há muito tempo é conhecido que o grau de sincronização
do cio entre o embrião e a receptora influencia a taxa de prenhez.
Vários estudos parecem indicar que a sincronia é mais crítica em
receptoras de corte que de leite. Entretanto, quando receptoras de
corte e leiteiras foram comparadas no mesmo estudo (Hasler, 2001) não
houve diferença nas exigências de sincronia. Também, parece que uma
assincronia de 24 horas, para mais ou para menos, entre doadora e
receptora, não compromete a taxa de prenhez quando são transferidos
embriões frescos ou congelados.

Diversos estudos direcionados a
melhorar as taxas de prenhez das receptoras utilizando hormônios
(progesterona, hCG, bSTr, GnRH) ou outras drogas (banamine,
clenbuterol) não apresentaram resultados consistentes.

Congelamento de embriões

A
conservação de embriões bovinos congelados é um procedimento
comercialmente viável desde os anos 80s, resultado das pesquisas
pioneiras realizadas na Universidade de Cambridge (Polge e Willadsen,
1978). Inicialmente, o glicerol foi a principal substância utilizada
como crioprotetor das células embrionárias. O inconveniente dessa
tecnologia era a necessidade de descongelar as palhetas e realizar a
avaliação morfológica antes de realizar a transferência. Para tanto
era necessário dispor de um microscópio, um meio especifico de
descongelamento e um embriologista treinado para fazer a avaliação do
embrião no momento da descongelação.

O uso do etileno glicol
como um crioprotetor, no lugar do glicerol fez possível a transferência
do embrião diretamente no útero da receptora, sem necessidade de
retirar o embrião da palheta em que foi congelado. Essa inovação
representou uma melhora significativa no campo da TE nos anos 90s. Como
as taxas de prenhez são semelhantes entre os embriões congelados com
glicerol e etileno glicol, atualmente o etileno glicol é o crioprotetor
predominante na maior parte dos programas comerciais de TE. As taxas de
prenhez que resultam da transferência de embriões congelados e
descongelados são atualmente, aproximadamente, 10% menores que as
obtidas com embriões frescos de qualidade semelhante.

FIV

O
termo FIV (Fecundação in vitro) envolve a produção de embriões
produzidos in vitro e inclui as etapas de maturação, fecundação e
cultura in vitro, até o estágio de mórula ou (mais freqüentemente)
blastocisto. A padronização laboratorial das condições ambientais
(temperatura, umidade, etc) para realizar a FIV, fez com que no inicio
dos anos 90s, várias empresas, que atuavam no ramo da TE, começassem a
oferecer programas de FIV em base comercial.

A produção
comercial de embriões FIV rapidamente alcançou um grande sucesso e como
resultado milhares de prenhezes foram estabelecidas. Infelizmente, um
número significativo de gestações foi caracterizado por aborto,
dificuldades ao parto, morte perinatal ou anomalias dos bezerros
(Smith, 2007). Devido a esses problemas, a demanda pelos serviços de
FIV nos EUA declinou significativamente. Nos últimos anos, contudo,
esses problemas têm sido reduzidos pelo uso de sistemas de cultura com
meios semidefinidos em substituição ao soro fetal e/ou co-cultura.
Atualmente, Brasil é o maior usuário mundial da tecnologia de FIV,
sendo que o número de transferências utilizando embriões produzidos por
FIV ou recuperados de vacas superovuladas é muito próximo. Acredita-se
que, no futuro, o procedimento da FIV para a produção de embriões
deverá substituir a TE tradicional, envolvendo superovulação e coleta
uterina dos embriões.

Micro-manipulação de embriões

Os
primeiros bezerros clones nascidos originaram-se da divisão de embriões
em duas metades (Ozil et al., 1982). Esta técnica deve ser realizada
com auxílio de um micromanipulador (manualmente também é possível, mas
requer uma boa habilidade e experiência prévia do operador na
manipulação de embriões). A bipartição possibilita um aumento no número
de bezerros produzidos de um determinado grupo de embriões e também a
produção de gêmeos idênticos, oriundos de alguns desses embriões.
Entretanto, esta tecnologia atualmente é menos utilizada que durante os
anos 80s, período em que a técnica ficou disponível.

Outro uso
da manipulação envolve a remoção de algumas células dos embriões com o
uso do micromanipulador e posterior análise de PCR para determinar o
sexo ou a presença de determinados genótipos. Esta tecnologia, além de
habilidade técnica do operador, precisa de equipamentos relativamente
caros e sofisticados, razão pela qual não tem sido amplamente adotada
pela indústria comercial de TE.

A clonagem de bovinos adultos
pela transferência do núcleo de células somáticas é uma área que
atualmente vem recebendo grande atenção na imprensa e em laboratórios
de pesquisa acadêmica. A comercialização de bovinos originados por essa
tecnologia ainda é bastante limitada. No Brasil, o comércio de clones é
limitado ao mercado especulativo de animais de excepcional valor
comercial (vide caso do famoso touro "Bandido", utilizado em rodeios),
bem como atender a demanda na preservação de raças nativas ou
adaptadas, em vias de extinção.

Sanidade e Bio-segurança

Como
o comércio internacional de embriões congelados entre países cresceu
rapidamente nos anos 80s, atenção considerável foi dada ao estudo das
eventuais doenças transmitidas pelo embrião quando transferido fresco
ou congelado. Como resultado, atualmente devem ser respeitados
procedimentos específicos de produção e manipulação dos embriões
destinados ao movimento entre países (Stringfellow et al., 2004). Esses
protocolos têm provado ser bastante eficientes e não existe notícia de
qualquer problema sanitário relacionado com a transmissão de doenças
pelo embrião transportado internacionalmente. Entretanto, os protocolos
existentes aplicam-se a embriões produzidos in vivo, de forma que mais
pesquisas são necessárias para desenvolver regulamentos sanitários mais
específicos para o comercio internacional de embriões produzidos in
vitro, clones e embriões transgênicos. Devidos aos recentes eventos
internacionais de aparecimento de doenças de importância econômica
(febre aftosa) e/ou que afetam à saúde humana (BSE), é altamente
provável que o uso de meios de cultura sem a presença de produtos de
origem animal será obrigatória para a manipulação e congelamento de
embriões bovinos.

Rafael Herrera Alvarez
Centro de P&D Genética e Reprodução Animal, Instituto de Zootecnia-APTA, Nova Odessa-SP, 13460-000, Brasil.
Contatos: herrera@iz.sp.gov.br.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALVAREZ,
R.H. et al. Transfer of bovine blastocysts derived from short-term in
vitro culture of low quality morulae produced in vivo. Reproduction of
Domestic Animals (OnlineEarly Articles).
doi:10.1111/j.1439-0531.2007.00884.x, 2007.

BETTERIDGE, K. J. A
history of farm animal embryo transfer and some associated techniques.
Animal Reproduction Science, Amsterdam, v.79, n.3, p.203-244, 2003.

BÓ,
G.A., GUERRERO, D.C., ADAMS, G.P. Alternative approaches to setting up
donor cows for superstimulation. Theriogenology, Amsterdam, v.69, n.1,
p.:81-87, 2008.

HASLER, J.F. Factors affecting frozen and fresh
embryo transfer pregnancy rates in cattle. Theriogenology, Amsterdam,
v.56, n.9, p.1401-1415, 2001;

HASLER, JF. The current status and
future of commercial embryo transfer in cattle. Animal Reproduction
Science, Amsterdam, v.79, n.3, p.245-264, 2003.

HEAPE, W.
Preliminary note on the transplantation and growth of mammalian ova
within a uterine foster-mother. Proceedings of the Royal Society of
London, London, v.48, p.457–458, 1891.

NETTO, A.S. et al.
Improvement in embryo recovery using double uterine flushing.
Theriogenology, Amsterdam, v.63, n.5, p.1249-55, 2005.

OZIL,
J.P., HEYMAN, Y., RENARD, J.P. Production of monozygotic twins by
micromanipulation and cervical transfer in the cow. Veterinary Record,
London, v.110, n.6, p.126-127, 1982.

POLGE, C. e WILLADSEN, S.M. Freezing eggs and embryos of farm animals. Cryobiology, Amsterdam, v.15, n.3, p.370-373, 1978.

SILVA,
J.C.C. et al. Factors affecting the embryos production of superovulated
zebu cows. Animal Reproduction, Belo Horizonte, 2008 (no prelo).

SMITH,
C.L. Alterações genéticas e epigenéticas em embriões produzidos in
vitro. XVII Congresso Brasileiro de Reprodução Animal. – Curitiba, PR,
- Animal Reproduction, Belo Horizonte v.31, n.1, p.241-246, 2007.

STRINGFELLOW,
D.A., GIVENS, M.D., WALDROP, J.G. Biosecurity issues associated with
current and emerging embryo technologies. Reproduction, Fertility and
Development, Collingwood, Australia, v.16, n.1-2, p.93-102, 2004.

Estudo dos principais microorganismos do rúmen

A microbiota ruminal é constituída de três principais microorganismos, que são eles: bactérias, fungos e protozoários estes têm extrema importância para a segurança alimentar, exportações de carne e para a disseminação de resistência a antibióticos

Neste artigo se revisa o estudo dos principais microrganismos encontrados no rúmen mostrando assim, sua importância perante a degradação das forragens e suas restrições químicas, físicas e biológicas. A microbiota ruminal é constituída de três principais microorganismos, que são eles: bactérias, fungos e protozoários estes têm extrema importância para a segurança alimentar, exportações de carne e para a disseminação de resistência a antibióticos. Atualmente este tema se tornou pertinente devido a crescente ascensão do sistema confinado, que visa melhor eficiência alimentar do ruminante, pois se tem pouco tempo para chegar ao abate. O rúmen é um ecossistema anaeróbio, caracterizado pelo seu poder tampão, temperatura, pH e fermentação, assim este fica favorável aos microorganismos.

INTRODUÇÃO

O principal interesse produtivo do ruminante esta na capacidade de aproveitar os nutrientes na digestão microbiana. No rúmen e no ceco, o desenvolvimento desta microflora e microfauna permitem o aproveitamento eficiente de vários nutrientes, principalmente para produção de energia, essencial na manutenção corporal e produção do bovino, demonstrando assim a simbiose com o animal.

A microbiologia do rúmen é extremamente completa, devido ao grande número de organismos presentes, sendo que suas diferentes naturezas e as mudanças da população, resultam na mudança da dieta do animal hospedeiro (TEIXEIRA, 1991).Desta forma, o rúmen funciona como uma câmara de fermentação, devido a uma série de mecanismos fisiológicos do hospedeiro (SOEST, 1982).

A ação da população microbiana ruminal sobre o substrato (alimento do hospedeiro) tem especial importância, pois constitui a base da fisiologia digestiva dos ruminantes. Celulose e hemicelulose representam a maior fonte potencial de energia para os animais herbívoros (ARCURI, 1992), após a degradação pelos complexos enzimáticos de microorganismos animais. Além dessa fundamental capacidade hidrolítica, estes microorganismos reduzem acentuadamente o volume de matéria seca que passa à porção pós-ruminal do trato digestivo (DEHORITY, 1987).

O AMBIENTE MICROBIOLÓGICO DO RÚMEN

O rúmen apresenta características peculiares que o tornam um ecossistema anaeróbico propício para o desenvolvimento microbiano (TEIXEIRA, 1991). Neste ambiente podem se encontrar também leveduras, principalmente em animais jovens.

A temperatura ruminal está média entre 38º a 42º C e é mantida por mecanismos homeotérmicos do hospedeiro. O pH pode variar de 5 a 7, de acordo com o tipo de alimento ingerido, tempo de amostragem e freqüência de fornecimento de alimentos ao hospedeiro.

Segundo WILLIAMS (1986), os protozoários do rúmen são mais sensíveis que as bactérias e podem mesmo vir a desaparecer se o pH ultrapassar 7,8 ou decrescer abaixo de 5 embora as espécies bacterianas tenham seu crescimento reduzido em pH menor que 5.

A capacidade de troca catiônica do alimento ingerido e o volume de saliva afetam a capacidade tampão do conteúdo ruminal (MCDOUGALL, 1948; SOEST, 1982), já a baixa concentração de oxigênio no rúmen favorece o desenvolvimento de microorganismos anaeróbicos - bactérias anaeróbicas facultativas; apesar dos microorganismos serem predominantemente anaeróbicos, eles podem suportar algum oxigênio que chega ao rúmen através do alimento, água e difusão através da parede ruminal. Este oxigênio é rapidamente metabolizado e serve como doador de elétrons na fermentação. Os produtos resultantes da fermentação são continuamente removidos, não havendo acumulação (TEIXEIRA, 1991).

Inúmeras espécies de microorganismos podem ser encontradas no rúmen, porém a classificação destas como partes da microbiota ruminal só é possível se forem satisfeitos os seguintes requisitos, propostos por GALL e HUTTANEN (1950): ser anaeróbio; apresentar população mínima de 1000000 células/g de conteúdo ruminal fresco; ter sido isolada pelo menos dez vezes em dois ou mais animais; ter sido isolada em pelo menos duas diferentes localizações geográficas e produzir subprodutos encontrados no rúmen.

A enorme diversidade de organismos ruminais pode ser devida à complexidade do substrato. Sobrevivem e predominam as espécies que possuam em seu material genético as informações para a síntese de enzimas que compõe as vias metabólicas mais eficientes no aproveitamento da energia contida no substrato (HUNGATE, 1966).

BACTÉRIAS RUMINAIS

Apesar do papel dos protozoários e fungos do rúmen, é claro que são as bactérias os microorganismos mais ativos na atividade enzimática, apresentando assim mais de 20 espécies, com uma população entre 1.000.000.000 a 10.000.000.000 de células/g de conteúdo ruminal. A maioria é composta por bactérias anaeróbicas obrigatórias, podendo ser encontradas anaeróbicas facultativas (TEIXEIRA, 1991). Usualmente as bactérias são classificadas de acordo com a atuação de cada grupo no processo fermentativo.

Bactérias celulolíticas têm a habilidade bioquímica de produzir a enzima extracelular celulase, através da hidrólise da celulose. As celulases da maioria dos microorganismos celulolíticos estão associadas às células aderidas firmemente às partículas fibrosas do conteúdo ruminal. A adesão inicial é feita através do glicocálice, à medida que a celulase vai degradando a fibra, fragmentos do envelope celular passam a compor a matriz de glicocálice, dentro da quais as celulases continuam a digerir a celulose (CHENG; COSTERTON, 1986). Os ácidos graxos de cadeia ramificada são necessários ou estimulatórios para o crescimento das bactérias celulolíticas (DEHORITY, 1987).

As espécies celulolíticas produzem, principalmente, acetato, propionato, butirato, succinato, formato, CO2 e H2. São liberados também etanol e lactato (HUNGATE, 1966). Segundo DEHORITY (1987) E SOEST (1982), as principais espécies celulolíticas são Ruminococcus flavefaciens, Ruminococcus albus, Bacteroides succinogenes e Butyrivibrio fibrisolvens.

Bactérias Amilolíticas são as responsáveis pela degradação do amido (que se dá pela enzima amilase), que é fermentado por espécies do gênero Bacteroides, dentre estas, Bacteroides amylophilus que utiliza amido, mas é incapaz de utilizar glicose ou outros monossacarídeos. Já Streptococus bovis e Selenomonas ruminantium fermentam amido e açúcares solúveis produzindo acetato, quando estes carboidratos são abundantes mudam para acetato, formato e etanol ou acetato e propionato, quando a concentração de substrato prontamente fermentável decresce. Esta última rota metabólica maximiza a produção de ATP (RUSSELL, 1988).

Muitas das bactérias Proteolíticas presentes no rúmen são capazes de degradar proteína. Existem, no entanto, bactérias essencialmente proteolíticas, que utilizam aminoácidos como fonte de energia primária (Bacteroides amylophilus e Bacteroides ruminicola). A proteína contida no alimento do animal pode ser degradada pelos microorganismos de rúmen, com liberação de amônia e ácidos graxos voláteis. A excessiva degradação protéica no rúmen causa redução na retenção de N pelo hospedeiro (TEIXEIRA, 1991; SOEST, 1982).

As Bactérias Metanogênicas (anaeróbias estritas) são organismos capazes de produzir metano. Estas bactérias são especialmente importantes para o ecossistema ruminal, pois tem um papel importante na regulação de fermentação pela remoção das moléculas de H2 (TEIXEIRA, 1991). Praticamente todo o metano é produzido pelas reações de redução de CO2 acoplada ao fornecimento de elétrons pelo H2. O gênero Methanobacterium desempenha importante papel no equilíbrio químico no ecossistema ruminal ao utilizar o H2 presente no meio, contribuindo para a regeneração de co-fatores, como NAD+ e NADP+ (ARCURI, 1992).

OS PROTOZOÁRIOS DO RÚMEN

Os protozoários foram os primeiros microorganismos identificados no rúmen. Em geral, a presença de protozoários aumenta diretamente a digestão da celulose e hemicelulose (FONDEVILA, 1998).
Sua população é de 100.000 a 1.000.000 células/ml de conteúdo ruminal (TEIXEIRA, 1991). São organismos unicelulares, anaeróbios, não patogênicos, 10 a 100 vezes maiores que as bactérias (HUNGATE, 1966; OGIMOTO; IMAI, 1981.,CITADO POR ARCURI, 1992). As bactérias constituem a fonte preferida de nitrogênio para os protozoários (WILLIAMS, 1986). Esta predação reduz significamente o número de bactérias no líquido ruminal (HUNGATE, 1966). Uma característica peculiar dos protozoários é o quimotactismo, isto é, a capacidade de se locomoverem num gradiente de concentração de nutrientes, como, açúcares ou glicoproteínas (ARCURI, 1992).

Normalmente, os protozoários encontrados no rúmen são da classe dos Ciliados, dividindo-se nas subclasses Holotricha e Pirotricha (TEIXEIRA, 1991). DEHORITY; TIRABASSO (1986) sugerem que a subclasse Holotrica é capaz de se fixar à parede do retículo e imigrar em direção ao rúmen logo após a alimentação do hospedeiro, possivelmente em função do aparecimento de açúcares solúveis. Através deste mecanismo, os holotrica são seletivamente retidos no rúmen, o que permite a estes organismos sobreviver neste ambiente, uma vez que têm um tempo de geração muito longo (LENG; NOLAN, 1984).

A predação por grandes populações de protozoários reduz a biomassa bacteriana livre no líquido ruminal; aumenta a reciclagem intra-ruminal e a perda de N pelo hospedeiro e reduz o fluxo de proteína microbiana para o intestino delgado do hospedeiro, tanto pela menor população bacteriana quanto pela retenção dos protozoários no rúmen (LENG e NOLAN, 1984). A defaunação - que nutricionalmente é definida como a eliminação dos protozoários do rúmen – pode trazer alguns benefícios. Em alguns programas de alimentação, como em dietas com alta energia e ricas em nitrogênio não protéico a ausência dos protozoários resulta numa melhoria da performance do animal. Mas contrapondo a presença de protozoários no rúmen parece ser um fator fundamental para o processo fermentativo, pois através da ingestão de partículas alimentares e pelo armazenamento de amido, eles podem controlar o nível de substrato disponível, uniformizando a fermentação entre os intervalos de alimentação. Os protozoários podem servir também como uma fonte contínua de nitrogênio para as bactérias após sua morte e degradação, pois grande parte da proteína do protozoário foi formada a partir da proteína das bactérias (TEIXEIRA, 1991).

FUNGOS DO RÚMEN

Um grupo de ficomicetos anaeróbios produtores de zoósporos flagelados, antes considerados, erroneamente, como protozoários flagelados, é parte integrante da microbiota ruminal de animais alimentados com dietas fibrosas (RUSSELL, 1988). Segundo (TEIXEIRA 1991), (ORPIN, 1975), foi o primeiro pesquisador a definir a existência de tais fungos.

Pouco ainda se sabe sobre a importância dos fungos no processo fermentativo, mas parece que eles estão associados com a degradação da fibra no rúmen e estão presentes em grande número quando a dieta é rica em forragens. Os zoósporos móveis aderem-se aos fragmentos das forragens, invadindo os tecidos vegetais através de talos e rizóides (BAUCHOP, 1981).

A ação dos fungos sobre a parede vegetal diminui a rigidez estrutural das forragens (BORNEMAN, 1986. CITADO POR FONDEVILA, 1998), e favorece a ruptura das partículas de forragens, aumentando também a superfície acessível para a ação das bactérias (FONDEVILA, 1998).

MYCOPLASMAS

Descrito por HUNGATE, em 1966, como microorganismo anaeróbico obrigatório encontrado no rúmen, que degradava células bacterianas e apresentava habilidade em hidrolisar caseína. Entretanto, pouco se sabe sobre a importância destes microorganismos no ecossistema ruminal.

DISTRIBUIÇÃO E VARIAÇÕES DOS MICROORGANISMOS RUMINAIS

O rúmen apresenta conteúdo heterogêneo composto pelas digestas líquida e sólida, sujeitas a fluxos diferentes e distribuição distinta da microbiota (CZERKAWSKI, 1986). CHENG; COSTERTON (1986) dividem a microbiota em três populações básicas: a população do líquido ruminal, a dos microorganismos aderentes à fração sólida da digesta e a população ligada à parede do rúmen. A primeira compreende a porção mais investigada, devido aos métodos clássicos de coleta de amostra e cultivo do conteúdo ruminal. Os autores incluem nesta população os microorganismos aptos a colonizarem alimentos recém-ingeridos ou superfícies de tecidos recém-expostos, o que os leva a atribuir-lhes grande atividade metabólica. A população aderente à fração sólida está relacionada com a degradação dos alimentos fibrosos (STEWART, 1986). Um grupo totalmente distinto ocorre na parede do rúmen. São anaeróbios facultativos, que digerem células epiteliais mortas e apresentam importante atividade ureolítica, num ambiente situado na interface entre o tecido bem oxigenado e o conteúdo ruminal anaeróbio (CZERKAWSKI, 1986). A população microbiana encontrada no rúmen, normalmente pode sofrer uma pequena variação, dependendo da espécie de animal, da localização geográfica, da dieta e outros. A variação entre o número e quantidade de bactérias no rúmen, em geral é muito pequena, quando comparada com a variação na população de protozoários, estes podem variar em número e tipo entre animais de mesmo grupo genético. Algumas vezes, a variação na população de protozoários pode afetar a população bacteriana, devido a predação existente entre estes microorganismos (TEIXEIRA, 1991).

CONCLUSÃO

A compreensão da população de microorganismos ruminais é fundamental para o fornecimento de condições necessárias ao melhor aproveitamento do processo de digestão. Assim, se gera sistemas mais eficientes de nutrição unindo produtividade e diminuição de custos.

É fato que, tanto o próprio animal ganha quanto os microorganismos pelo processo de simbiose, mas é necessário maior clareza para não afetar outros meios em vez de aumentar a digestão.

Anna Carolynne AlvimDuque
1Estudante de Ciências Biológicas do Centro de Ensino Superior de Juiz
de Fora (CES-JF), bolsista da Embrapa Gado de Leite. E-mail:
alvimduque@yahoo.com.br;

Eder Cristian Malta de Lanes
Estudante de mestrado em genética da UFV;

Fernando César Feraz Lopes
Analista da Embrapa Gado de Leite.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ARCURI, P. B. ; MATOS, L. L. Microbiologia do Rúmen. Informe Agropecuário, Belo Horizonte, MG, v. 16, n. 175, p. 5-8, 1992.
BAUCHOP,T. The Anaerobic Fungi In Rúmen Fibre Digestion. Agriculture And Environment, Amsterdam,V.6, p .339, 1881.
CZERKAWSKI, J.W. Na Introducion To Rúmen Studies. Oxford: Pergamon: Press, p. 236, 1986.
DEHORITY, B. A. Rúmen microbiology. Wooster: ohio state university, 239p. 1987.
DEHORITY, B. A.; TIRABASSO, P.A. Factor affecting the migration and sequestration of rumen protozoa in the family isotrichidae. Journal of general microbiology, London, v.135, p.539, 1986.
CHENG, K.H.; COSTERTON. J.W. Microbial adhesion and colonization within the digestive tract. In: BARNES, E.M.; MEAD, G.C.Anaerobic bacteria in habitats other than man. LONDON: BlackwELL Sci. PuBL., p. 239-262. 1986.
FONDEVILA, M. Proceso implicado en la digestión microbiana de los forrajes de baja calidad. Rev. Fac. Agron. (LUZ).v15, p.87-106,1998.
GALL, L. W.; HUTTANEN, C.N. Criteria for considering a bacteria isol om the rumen as a bona flide rumen organism. Journal of Animal Science, Chanpaign, v.67, suppl. 1, p. 558, 1989.
HUNGATE, R.E. The Rumen And Its Microbs. New York: Academic Press, 533p. 1966.
LENG, R. A.; NOLAN, J.V. Nitrogen metabolism in the rumen. J ournal of Dairy science, Champaign, V.67, p.1072, 1984.
MC DOUGALL, E.I. Studies on ruminantes saliva. 1. The composition and output of sheep’s saliva. Biochemical Journal, London, v.43, p.99, 1948.
STEWART, C.S. Rumen function with special reference to fibre digestion. In: BARNES, E.M.; MEAD, G.C. Anaerobic bacteria in habitats other than man. London: Blackwell sci. Publ., p.263-286, 1986.
RUSSEL, J.B. Ecology of rumen microorganisms: energy use. In: DOBSON, A .;DOBSON, M. Aspect of digestive physiology in ruminants. Ithaca: Comstock Publ. Assoc., p. 74 -98. 1988.
SOEST,P.J. van. Nutritional ecology of the ruminant. Corvallis: O e B Books, 374p. 1982.
TEIXEIRA, JÚLIO CÉSAR. Nutrição dos Ruminante, Lavras, MG: ESAL/ FAEPE, 1991.
WILLIAMS, A . G. Rumen holotrich cilliate protozoa. Microbiological Review, Washington, v.50, p. 25, 1986.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Criação de Bovinos de Corte na Região Sudeste

Este sistema de produção contempla :Aspectos Agro e Zooecológicos,Estratégias de Utilização de Recursos Genéticos em Sistemas de Produção de Bovinos de Corte ,
Instalações,Comportamento Social dos Bovinos e o uso do espaço ,Alimentação,Produção de Carne em Pastagens Adubadas,Irrigação de pastagens,Invasoras em pastagens,Manejo Reprodutivo em Sistemas Intensivos de Produção de Carne (reprodução),Doenças e Parasitos mais comuns ,Mercado e Comercialização.
crédito EMBRAPA

Palavra-chave

Entre em contato comigo

Nome:

E-Mail:

Assunto:

Mensagem: