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sábado, 21 de março de 2009

Caso do veterinário andarilho sensibiliza amigos e leitores

Sensibilizados com a história do médico veterinário Marcelo Carlos de Almeida, que perdeu tudo e se tornou alcoólatra e andarilho em Bauru, amigos, leitores, empresários e líderes de entidades assistenciais entraram em contato com o Jornal da Cidade, durante todo o dia de ontem, na tentativa de ajudar a recuperar um talento perdido. Para dar as boas novas, a reportagem tentou localizar Almeida novamente na casa abandonada da quadra 11 da rua Bandeirantes, no Centro, que ele havia adotado como lar há cerca de três meses, mas não obteve êxito.

Assim como o JC, a veterinária Eliana Cristina Ribeiro, colega de faculdade de Almeida, infrutivamente foi até o imóvel para tentar mostrar-lhe o álbum de formatura da turma de medicina veterinária graduada em 1993. “Queria muito reencontrá-lo, mostrar as fotos da época da faculdade para que ele, quem sabe, se lembre do que foi no passado e perceba o valor que ainda tem”, comenta

Segundo Eliana, Almeida era um estudante dedicado, inteligente e bastante querido pelos amigos. “O Tobó, como era conhecido, era brincalhão, despojado, mas nunca faltava às aulas”, comenta, lembrando que o colega tinha boas condições de vida na época, já que não precisava trabalhar para custear os estudos, concluídos em uma universidade privada de Marília.

A capacidade intelectual de Almeida também é ressaltada pelo jornalista Emersom Luiz Moretto Sandi, que o conheceu em novembro do passado, quando o andarilho passou a freqüentar o bar do qual sua sogra é proprietária, no Jardim Mendonça. Na época, segundo Sandi, o morador de rua já havia se tornado bastante dependente do álcool.

“Ele ia todo dia ao bar para tomar pinga, mas eu via que ele era diferente do pessoal que ia ao bar para beber. Comecei a conversar com ele e descobri um cara com um grande potencial, que domina a sua área profissional e, além de tudo, se mostrou uma pessoa solidária”, recorda-se.

Seis idiomas

Durante as idas de Almeida ao bar, o jornalista descobriu que o andarilho sabia falar, além do português, outros seis idiomas: italiano, espanhol, alemão, inglês, francês e grego. “Ele é realmente muito inteligente. Torço muito para que ele possa retomar sua vida mas, na situação em que chegou, acredito que ele só conseguirá se tiver ajuda de outras pessoas”, avalia.

Mas não será pela falta de pessoas solidárias com essa trajetória dramática que Almeida deixará de superar o momento difícil que atravessa. Ainda ontem, João Luís Martins Maria, gerente comercial da BioRastro, empresa certificadora de animais para exportação localizada em Botucatu, ligou para o JC oferecendo uma boa oportunidade de trabalho para o veterinário.

“O mercado de exportação de bois para a União Européia vem crescendo a cada ano e precisamos de profissionais nesta área. Para se ter uma idéia, um técnico veterinário ganha R$ 300,00 por dia de trabalho, ele pode ganhar dinheiro. Como já possui diploma, só precisará passar por um treinamento”, comenta.

Antes, no entanto, de o andarilho retomar a carreira profissional, ele precisará passar por um tratamento de desintoxicação, para que possa abandonar o vício em bebidas alcoólicas. Essa ajuda ele encontrará na Comunidade Terapêutica Vida e Paz, localizada na quadra 8 da rua México, no Jardim Terra Branca. De acordo com a colaboradora, que identificou-se apenas como Wanessa, Almeida poderá procurar a instituição das 8h às 18h e receberá, gratuitamente, todo o atendimento necessário.

Também sensibilizado com a história do veterinário, Antônio Fernando Tarsitano, obreiro de igreja evangélica Restaurar, que brevemente deve ser inaugurada em Bauru, na avenida Castelo Branco, ofereceu ajuda espiritual, roupas, comida e até abrigo ao andarilho. Já a cabeleireira Luzia Sakata, que possui um salão de beleza na quadra 10 da rua Bandeirantes, próximo ao imóvel em que ele vive, contou que muitos clientes e moradores que vivem nas redondezas também ofereceram ajuda.

“Uma mulher que estava de passagem pela cidade, visitando um filho que mora em Bauru, disse que só irá embora quando conseguir ajudar esse homem. Ele vinha às vezes no salão, a gente ajudava com algum lanche. Sempre pareceu uma pessoa calma e boa, que precisa se recuperar”, conclui.


• Serviço

Telefones para que Almeida possa fazer contato: Eliana: 9115-0640 e 9749-0665; João Luís Martins Maria, da BioRastro: 9661-4639; Comunidade Terapêutica Vida e Paz: 3011-7702; Antônio Fernando Tarsitano: 9611-6096; Salão de beleza Lu Sakata: 3018-4330.

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